terça-feira, 4 de abril de 2017

Não é errado gostar de algo considerado ruim. Errado é achar que isso vai evoluir a cultura

Anos atrás, eu tive a oportunidade de assistir a comédia juvenil Fired Up (e legendado, graças a teclas de legenda e de voz disponíveis pela operadora de TV). Gostei do filme, assim como a maior parte de comédias juvenis. Muita gente detesta, mas eu gosto de comédias juvenis. A descontração presente nelas e as situações mostradas geram uma certa identificação com meu jeito jovial.

Mas alto lá! O fato de eu gostar dessas comédias não significa que eu discorde com boa parte da critica negativa feita a filmes desse tipo. O fato de eu ter gostado não significa que eu considere uma "obra de qualidade". Comédias juvenis são entretenimento puro, assim como muitos filmes elogiados que muita gente pensa ser "de arte", mas para quem tem o discernimento e o conhecimento do processo de produção dos filmes, não passa de pura diversão.

O problema não é gostar de filmes desse tipo, assim como não é problema gostar de música ruim. Você até pode "descer até o chão" ao som do mais rasteiro "funk" proibidão, desde que pare de inventar que isso é uma evolução cultural. As pessoas confundem gosto pessoal com valor cultural e é nessa confusão que surgem os atritos e os mal entendimentos.

O próprio sentido original de "cultura" desapareceu há muito tempo. Hoje, "cultura", para a maioria das pessoas significa uma diversão mais "elaborada". Uma diversão que "educa", se é que se pode entender desta forma. O sentido de cultura como gerador de conhecimento já não existe mais, embora ainda permaneça no discurso de defesa de algumas pessoas. Mas como gerar conhecimento sem conhecimento?

Divertir faz parte do instinto humano. É sadio divertir. E é algo pessoal, você pode se divertir da maneira que quiser. Cultura não. Cultura exige sabedoria, exige uma qualificação maior, além da obrigação de gerar aprendizado e produzir algo que possa desenvolver o intelecto da sociedade. Essa é a principal diferença entre cultura e diversão, palavras hoje tão comumente confundidas.

Não tenho medo de dizer que gostei de Fired Up. Gostei mesmo e me diverti vendo situações cômicas de dois nerds metidos a atletas que resolvem desistir de tudo para passar alguns dias numa escola de cheerleaders cheia das mais lindas gatas. O filme também teve a presença de algumas atrizes conhecidas que admiro, em destaque para a lindíssima Margo Harshman, que interpretou a auxiliar de Sheldon (Jim Parsons) em um episódio de Big Bang Theory, essa sim, uma obra de qualidade comprovada.

Mas eu tenho a consciência de que essa e outras comédias juvenis não passam de pura diversão, algo para não se levar a sério e muito menos ficar na história. Se eu já não levo a sério as fantasias bem boladas de um diretor caprichado mas mercenário, Steven Spielberg, imagine comédias juvenis sem pretensões.

As pessoas deveriam aprender de uma vez por todas a separar diversão de cultura, continuando a curtir suas bobagens numa boa, mas sem levar a sério. Muitas polêmicas poderiam ser evitadas se as coisas fossem colocadas em seus devidos lugares.

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