sexta-feira, 24 de março de 2017

Como forjar um sucesso de um populacho no exterior

O povo brasileiro não gosta de pesquisar. Aceita as coisas automaticamente sem verificar e as toma como verdades absolutas, se irritando quando é contestado. E a mídia sabe muito bem disso, já que é ela que estimula a permanência desse comportamento.

Desde os anos 90 temos sofrido uma vertiginosa queda de qualidade em nossa cultura, mais nitidamente na música. Mas para que uma música ruim, mal feita, de um produto sem compromisso cultural, tenha uma aceitação inquestionável, é necessário agregar a ele aspectos que possam lhe dar uma imagem de "cultural" e "eterno", fazendo o parecer muito melhor do que realmente é.

Nos últimos anos, os empresários do entretenimento encontraram uma nova forma de aumentar a aceitação de intérpretes de qualidade duvidosa: forjar um sucesso internacional. Mesmo que de fato o tal intérprete não faça sucesso em outros países, isso não importa, pois os fãs brasileiros da celebridade a forjar o seu sucesso internacional não vão checar se o sucesso é real ou não, confiando cegamente no que a mídia local, que fala o idioma dos fãs de tal intérprete, mostra em seus factóides.

Não é muito difícil forjar um sucesso internacional para um intérprete sem qualidade musical. Basta ter muito dinheiro e disposição para viajar. Vejam como se faz.

- Difundir na mídia brasileira que o tal intérprete está "estourado" pelo mundo.
- Para dar uma veracidade, o empresário do entretenimento deve pagar algumas biroscas e casas pequenas no exterior para que o intérprete se apresente. Ele se apresenta, não como pop star, mas como um cantorzinho de churrascaria a tocar em qualquer barzinho de bairro.
- Tirar fotos e fazer vídeos do mesmo intérprete em lugares conhecidos do exterior, como por exemplo, a Torre Eiffel, como uma prova de que ele esteve realmente em tal lugar.
- Quando um artista estrangeiro vier tocar no Brasil, ensinar a ele a música do tal intérprete para que cante no show, sob o argumento de que cantando esta música, vai angariar mais simpatia dos brasileiros. Isso é que deve ter acontecido com o maestro de brega-erudito André Rieu quando tocou Ai se eu te pego, do arroz-de-festa Michel Teló, exemplo mais bem sucedido desta farsa do "estouro mundial".
- Ensinar a canção também a cidadãos estrangeiros, em reportagens no exterior.
- Pagar rádios estrangeiras (jabá) para tocar o tal intérprete.

Convém lembrar que mesmo que o sucesso passe a ser real, o intérprete populacho é visto em países mais desenvolvidos como se fosse uma piada, um mero intérprete de dance music, um modismo que vai sumir anos depois. Sociedades mais bem educadas não aceitam como cultura séria qualquer coisa que lhes apresente como tal. Mesmo sem entender o idioma, são capazes de perceber a diferença entre um artista de verdade e um produto "cultural".

Mas o que realmente faz com que tudo dê certo é o total desinteresse dos brasileiros em verificar se as informações recebidas são verdadeiras ou não, aceitando cegamente sem questionar, tal e qual fazem com os absurdos das religiões. Depois as pessoas se irritam quando alguém diz que brasileiro é um povo que gosta de ser enganado. Se não gostou de ouvir isso, então porque continua a ser enganado, hein?

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